Lady Killers: quando o monstro também pode ser uma mulher
Antes de abrir o livro...
📖 Livro: Lady Killers: Assassinas em Série
✍️ Autora: Tori Telfer
🌎 País: Estados Unidos
📌 Título original: Lady Killers: Deadly Women Throughout History
🔤 Tradução: Regiane Winarski
🏢 Editora: DarkSide Books
📚 Gênero: Não ficção / true crime / biografias e histórias reais
📦 Formato: Físico — capa dura
🔢 ISBN: 978-85-9454-123-7
📄 Páginas: 384
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐
🎃 Para quem gosta de: true crime, serial killers, histórias reais, criminologia e livros sobre os lados mais sombrios da natureza humana
⚠️ Atenção: o livro aborda assassinatos, torturas, abusos e outras formas de violência.
Mulheres também matam. E talvez a gente tenha demorado demais para perceber isso.
Eu li Lady Killers: Assassinas em Série, de Tori Telfer, em abril de 2026. Inclusive, levei o livro comigo na viagem que fiz no mês do meu aniversário.
E talvez não exista cenário melhor para confessar uma coisa: eu fiquei OBCECADA por esse livro.
Eu já tinha curiosidade pelo tema, mas não esperava que a leitura fosse me prender tanto. Tori Telfer reúne histórias reais de mulheres que cometeram crimes terríveis e constrói, a partir delas, uma discussão muito maior sobre violência, gênero e a maneira como a sociedade enxerga as mulheres.
E foi justamente essa discussão que mais ficou comigo.
Porque, quando pensamos em serial killers, é muito provável que os primeiros nomes que apareçam sejam masculinos. A própria ideia do assassino em série costuma ser associada ao homem.
Tori parte justamente dessa percepção para mostrar que mulheres também cometeram crimes brutais ao longo da História. E mais: muitas delas conseguiram permanecer escondidas durante muito tempo justamente porque ninguém esperava que uma mulher pudesse ser capaz daquilo.
A edição brasileira apresenta 14 dessas histórias, atravessando diferentes períodos históricos e contextos sociais.
E algumas são de deixar qualquer leitor olhando para a página com aquela expressão de: “Não é possível que isso aconteceu de verdade.”
O que mais me pegou em Lady Killers
O livro poderia facilmente cair em uma fórmula de “mulheres assassinas são tão assustadoras quanto homens assassinos”. Mas, para mim, a discussão mais interessante está um pouco além disso.
Tori mostra como nossas expectativas sobre o comportamento feminino podem influenciar a maneira como interpretamos a violência.
Existe uma ideia muito arraigada de que mulheres seriam naturalmente cuidadoras, delicadas, maternais, frágeis ou menos propensas à violência. Quando uma mulher foge completamente desse padrão, muitas vezes surge uma necessidade de encontrar uma explicação extraordinária para aquilo.
E é aí que o livro fica especialmente interessante.
Porque, no fim das contas, mulheres são seres humanos, e seres humanos são capazes das piores atrocidades.
Não existe necessidade de criar uma justificativa sobrenatural, uma caricatura ou um arquétipo para explicar uma mulher que comete um crime brutal. Ela pode simplesmente ser uma pessoa capaz de cometer aquele crime.
Essa constatação parece óbvia, mas é justamente aí que Lady Killers cutuca uma ferida interessante.
A autora também questiona os estereótipos usados para enquadrar mulheres criminosas, mostrando como elas foram frequentemente reduzidas a figuras como a amante ciumenta, a mulher sedutora, a mãe monstruosa ou a “velhinha inofensiva”.
E isso muda completamente a forma como olhamos para essas histórias.
Histórias absurdas de tão reais
Uma das coisas que mais gostei na leitura foi a maneira como Telfer conta essas histórias. Lady Killers não parece simplesmente uma coleção de fichas criminais.
A autora contextualiza as mulheres, os períodos históricos em que viveram e as sociedades nas quais seus crimes aconteceram. Isso ajuda a entender não apenas o que elas fizeram, mas também como conseguiram agir por tanto tempo sem levantar suspeitas. E esse é um dos aspectos mais fascinantes do livro. Algumas dessas mulheres foram subestimadas justamente porque ninguém esperava que uma mulher pudesse ser responsável por determinados crimes.
A leitura vai mostrando, caso após caso, como essa expectativa pode ter contribuído para que algumas delas passassem despercebidas durante anos.
E aqui preciso fazer uma confissão: eu não consigo mais lembrar quais histórias eu tinha marcado como minhas favoritas. Eu procurei minhas anotações. Juro que procurei. Não achei. Então vocês vão ter que aceitar uma resenha em que eu não consigo apontar “minha assassina favorita”, mas consigo dizer com absoluta convicção que algumas histórias me deixaram completamente abismada.
Talvez seja até melhor assim. Porque a sensação que ficou da leitura não está presa a uma personagem específica. Está no conjunto.
Uma leitura surpreendentemente fluida
Quando peguei Lady Killers, imaginava que seria uma leitura mais pesada. Afinal, estamos falando de assassinatos em série, tortura, violência e histórias reais...
Mas uma das grandes surpresas foi justamente perceber como a leitura fluiu.
Tori Telfer escreve de maneira envolvente, informativa e, em alguns momentos, até espirituosa. Isso não significa que o conteúdo deixe de ser pesado. Significa que a autora consegue conduzir o leitor pelas histórias sem transformar o livro em um amontoado cansativo de informações.
E isso fez muita diferença para mim.
Eu queria continuar.
Queria saber qual seria a próxima história.
Queria entender como aquelas mulheres tinham conseguido agir durante tanto tempo.
E, principalmente, queria entender como uma sociedade inteira poderia simplesmente não considerar determinada mulher uma possível suspeita.
E precisamos falar da edição da DarkSide
Agora chegamos a um assunto que eu preciso mencionar porque seria um crime deixar de fora. 🤭
A edição de Lady Killers publicada pela DarkSide é lindíssima. Sério.
A capa, as cores, o rosa aparecendo pelas páginas, as ilustrações, a diagramação e a qualidade do papel fazem o livro funcionar também como objeto.
A edição brasileira tem capa dura e projeto gráfico bastante trabalhado, com ilustrações de Jennifer Dahbura e material complementar. E eu acho particularmente interessante a escolha do rosa, já que existe uma ironia visual muito boa em colocar uma cor tão associada ao feminino em um livro sobre mulheres que cometeram alguns dos crimes mais horríveis que alguém pode cometer. É quase como se o projeto gráfico brincasse com as expectativas que o próprio livro está questionando.
“Rosa é cor de menina.”
Pois é.
E menina também pode ser uma serial killer.
Não porque exista alguma relação entre feminilidade e violência, obviamente, mas porque a feminilidade nunca deveria ter sido usada como sinônimo de inocência.
Lady Killers é um livro sobre serial killers, mas também é sobre nós
Talvez essa seja a parte que mais tenha ficado comigo depois da leitura.
O livro não é interessante apenas porque apresenta histórias absurdas de mulheres assassinas, mas porque nos obriga a pensar sobre a imagem que construímos das pessoas. Sobre o que esperamos de homens e mulheres. Sobre quem consideramos potencialmente perigoso. Sobre como determinados comportamentos são interpretados de maneira diferente dependendo de quem os pratica. E, principalmente, sobre como é confortável imaginar que pessoas capazes de atrocidades são completamente diferentes de nós.
Monstros.
Aberrações.
Criaturas distantes daquilo que entendemos como humanidade.
Só que não. É justamente o contrário que assusta.
Elas eram humanas.
E talvez essa seja uma das ideias mais incômodas de Lady Killers.
Não precisamos deixar de reconhecer a monstruosidade dos crimes para reconhecer a humanidade de quem os cometeu.
Aliás, talvez seja justamente essa humanidade que torne tudo ainda mais assustador.
Vale a pena ler Lady Killers?
Para mim, definitivamente sim.
Eu fiquei completamente envolvida com a leitura e terminei o livro com aquela sensação maravilhosa de ter encontrado uma obra que conseguiu entregar exatamente o que prometeu e ainda provocar reflexões que eu não estava esperando.
É uma ótima leitura para quem gosta de true crime, histórias reais, criminologia e casos de serial killers, especialmente para quem quer sair um pouco do lugar-comum dos criminosos masculinos.
Também acho que outubro é um mês perfeito para colocar Lady Killers na lista.
Afinal, Halloween combina com histórias assustadoras.
E poucas coisas são mais assustadoras do que descobrir que o monstro pode ter uma aparência completamente comum.
Minha nota: ⭐⭐⭐⭐⭐
5 estrelas e um lugar garantido entre as leituras que mais me marcaram em 2026.
Onde comprar Lady Killers: Assassinas em Série
Se você ficou curiosa para conhecer as histórias dessas mulheres, deixo aqui algumas opções para encontrar o livro:
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E agora eu quero saber: você já leu Lady Killers? Qual história mais te chocou?
Ou, se ainda não leu, me conta: você teria coragem de colocar um livro sobre serial killers na sua lista de Halloween? 🎃








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